sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Acordar...


Inspiro... suspiro por mais um fôlego intensamente reenergizante...
Olho à volta... mais uma vez... e nada vejo...
O meu cérebro pára... à procura de calibragem para retomar a sua actividade diária...
Calibre de tolerância... pensamentos positivos... reconfortantes... ajudam-me a ultrapassar mais uma etapa...
A jugular aperta intensamente e aproveita cada ínfima partícula de oxigénio que navega por entre cada obstáculo menos puro... usado... recôndito...
Sinto os olhos... as lágrimas... a língua... os dentes... cada dedo... cada membro... encontro-os a ganhar vida...
Cada músculo hipóxico treme ao saber que vai voltar ao trabalho... desejoso... hiperemiante... sedento de calorias...
O corpo pesado... esgotado... preguiçoso... pede apenas mais um segundo de descanso... um segundo que equivale a mais de uma hora para recuperar todas as forças perdidas ... poupa mais um tremor... mais uma fraqueza...

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Olhos que...


Passaram a correr sem pedir permissão a ninguém...
Tocaram-se sem desculpas nem perdões...
Iris na iris escura...
Ternura ...
Que singnifica tudo e nada ao mesmo tempo...
Trocam-se ao longe com caricias escondidas...
Impedidas...
Libertando faiscas dilacerantes que se propagam como um tsunami pulsátil...
Jorrante de liquor vermelho para o interior de um frágil casulo transbordante...
Faíscas viciantes que desejam mais e mais...
Iris nas iris... 
Órbitas nuas e desprovidas de armas...
Indefesas sem ressentimentos...
Esses olhares cativantes...
Que sussurram palavras ilariantes...
Falando no regaço de um suspiro perdido...
Confessam desejos alucinantes de um amor escondido...
Quatro alvos alinhados círculo a círculo...
Focados ao pormenor de se saber cada traço...
Cada linha do horizonte...
Circunferências delineadas a paixão escondida...
Proibida...
Construida por memórias esquecidas... 
Aquecidas pelo fogo crepitante...
Conservador de pensamentos gelados... 
Passados pelos olhares enganados...

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Correntes Selvagens


dou por mim aqui agarrada com correntes ao asfalto... que não me deixam prosseguir o meu caminho... o meu sonho... correntes de metal gelado e inquebrável... indestrutivel aos olhos daqueles que se querem aproximar...
sozinha... ofegantemente cansada... derrotada por todas as forças em que alguma vez acreditei...
agora consigo compreender quando um dia me disseram um não... desculpado... quando existiam tantos sins desesperados... mas não incorporados na realidade de um ser selvagem...
agora eu também selvagem... indomável... digo nãos... compreendendo o não outrora desculpado e chorado com lágrimas salgadas num rosto desfeito por sonhos...
agora também eu vejo que não é assim tão dificil perder a criança que há em nós e desejar que ela regresse a casa com uma gargalhada estridente de felicidade esquecida... com o esquecimento de uma passagem amargurada pela página de um livro desfolhada com a velocidade fulminante de um desejo que já foi...
que já não o é...
compreendo... não censuro... também eu agora reconheço o quão dificil é viver selvagem... desejando cativeiro que nunca saberemos se será o ideal... que não conseguimos dizer sins... que não conseguimos seguir um sonho... um desejo... porque simplesmente não dá... não somos capazes... não somos crianças... tornamo-nos selvagens num mundo de relações humanas... sonhos quentes... envolventes... duradouros... mas não passam de sonhos...
foi esse não ... o último a fazer-me sentir criança novamente...
permaneço acorrentada aos elos que me queimam contra o alcatrão do asfalto fervente... forte... incapacitante... do selvagem... perdendo a criança sonhadora que outrora aqui habitava...

segunda-feira, fevereiro 01, 2010



...I'm just living inside my own little bubble... and surviving... day after day...
...I'm recognising myself...
...protecting me...
...loving me...
...just my bubble and I...
...caring me...
...hugging me...
... bubbling me...

...sentido de impotência ao tentar o impossivel não compreendido ... dupla personalidade desapercebida...  inconstante melancolia vibrante...
desespero causal... irreal...


quinta-feira, janeiro 21, 2010

Sentido Abstracto



Dias e dias à roda de uma roda de vida vivida... não desenvolvida... inerte nos dias que passam e arrastam o ar dos pulmões que não o usam ... voltas e voltas de nada usado por ninguém para insignificar o antigo pacífico esperançado...
O não saber onde não se encontrar algo que não existe... onde não sabemos estar nem onde procurar...
Não querer saber de nada nem de ninguém enquanto não queremos continuar a não querer...
Dançar balançando... dançando num balanceado estagnado... parado no balanço de uma onda desenfreada de uma maresia penetrantemente ondulada... penetrando num mar intenso gélido com uma vida gelada procurada estarrecida e dignificada aos olhos de ninguém...
Amar... amargurando... dignificando o sentimento... sentido procurado... não achado... sem saber por quem...
Sentimento jamais alguma vez sentido pelo conhecimento de quem não quer saber... desistindo de tocar naquilo que nos leva a não querer continuar a sentir...

sábado, janeiro 16, 2010

Insónias...


Quantas vezes damos por nós a olhar em redor de uma noite que não conseguimos passar... talvez pelas horas de sono a mais de um dia descansado... ou apenas porque não conseguirmos parar de pensar... apesar de haver tanto para fazer no dia seguinte.. e de tão cedo ter que acordar...
Nada nos faz fechar os olhos e conseguir entrar naquele tão desejado sono... descansado... 
Pensamos em tudo ao nosso redor... sonhamos... planeamos... projectamos e revivemos tudo e mais alguma coisa... excepto que temos de adormecer o mais rápidamente possivel para que no dia seguinte não nos arrependamos das horas não dormidas...
Tudo à nossa volta se torna confuso... obtuso... tudo passa aos nossos olhos... o passado... o presente... o futuro... os melhores momentos... os piores... e os não vividos... os arrependidos... e os desejados...
Mas nada nos faz cair no poço do sono e relaxar...
Olhar no escuro... ver luzes a piscar... sombras a passar... contar os buracos das persianas... os carneiros a saltar nas cortinas...  imaginar historias... e até canções de embalar... dar voltas e voltas na cama até ficar enrolados nos lençóis que de nada têm culpa...
Inspirar fundo e pensar... porquê?
Vá dorme.... amanhã tens que acordar cedo...
Levantar para beber àgua... ou procurar algo que não existe na cozinha... ir a casa de banho... ler umas folhas perdidas de um livro da mesa de cabeceira... ou mesmo ouvir música da rádio mais calma e envolvente...
Nada disto resolve o problema... até que a exaustão faz derrotar o guerreiro pela luta do sono.... ou... muitas vezes... a luz do dia... e o dever de levantar se torna pesado e forte... mesmo no momento da guerra terminar...