Mostrar mensagens com a etiqueta Presente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Presente. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, março 30, 2010


Tanta coisa para dizer... tanta experiência para partilhar ... mas o meu cerebro está num nó só... agarrado a uma margem... cheia de ideias perdidas por um mundo desconhecido de mim mesma... reencontrada em emoções e lições de vida...
Não me consigo transmitir... apenas sentir... e viver...

quarta-feira, março 03, 2010

Lisboa, 3 de Março de 2010...


Há dias em que a nossa cabeça parece funcionar mais do que nós queremos ou estamos à espera... mesmo sem sabermos o porquê... nem o significado de tanta agitação axonal...
Para mim... hoje é um desses dias... reflexões... mais reflexões... desejos... promessas... mais um ano... mais objectivos e espectativas de algo melhor... mesmo sem saber o quê...
Uma vida melhor seria pedir muito?... saúde... amor... amizade... sinceridade... e uns eurozitos a mais no bolso também não faziam mal nenhum... toda a gente pede o mesmo...
Cada ano que passa é um ponto de viragem nas nossas vidas... cada um mais diferente do outro.... melhor... pior... nunca igual...
Hoje apenas me limito a desejar que este meu novo ano seja um bocadinho melhor que o passado... em todos os aspectos... cada um teve a sua quota parte menos positiva... uns mais... outros menos...
Mas nem tudo foram tristezas... também houve bastantes alegrias... gargalhadas e disparates agradáveis...
Este meu pedaço nasceu... e tem crescido... este meu ponto diferente... uns traços rabiscados numa alma vagueante... desconhecida de si própria... encontrada em mim... nos meus dedos em contacto com as teclas do computador... nas canetas que me passam pelas mãos... em momentos que me passam pela cabeça... e são transformados na imaginação... com a ajuda de situações que me passam pela vida...
Esta sim... uma soma de todos os anos que me passam pelo corpo... pela alma...
Hoje começa mais um...

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Acordar...


Inspiro... suspiro por mais um fôlego intensamente reenergizante...
Olho à volta... mais uma vez... e nada vejo...
O meu cérebro pára... à procura de calibragem para retomar a sua actividade diária...
Calibre de tolerância... pensamentos positivos... reconfortantes... ajudam-me a ultrapassar mais uma etapa...
A jugular aperta intensamente e aproveita cada ínfima partícula de oxigénio que navega por entre cada obstáculo menos puro... usado... recôndito...
Sinto os olhos... as lágrimas... a língua... os dentes... cada dedo... cada membro... encontro-os a ganhar vida...
Cada músculo hipóxico treme ao saber que vai voltar ao trabalho... desejoso... hiperemiante... sedento de calorias...
O corpo pesado... esgotado... preguiçoso... pede apenas mais um segundo de descanso... um segundo que equivale a mais de uma hora para recuperar todas as forças perdidas ... poupa mais um tremor... mais uma fraqueza...

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Olhos que...


Passaram a correr sem pedir permissão a ninguém...
Tocaram-se sem desculpas nem perdões...
Iris na iris escura...
Ternura ...
Que singnifica tudo e nada ao mesmo tempo...
Trocam-se ao longe com caricias escondidas...
Impedidas...
Libertando faiscas dilacerantes que se propagam como um tsunami pulsátil...
Jorrante de liquor vermelho para o interior de um frágil casulo transbordante...
Faíscas viciantes que desejam mais e mais...
Iris nas iris... 
Órbitas nuas e desprovidas de armas...
Indefesas sem ressentimentos...
Esses olhares cativantes...
Que sussurram palavras ilariantes...
Falando no regaço de um suspiro perdido...
Confessam desejos alucinantes de um amor escondido...
Quatro alvos alinhados círculo a círculo...
Focados ao pormenor de se saber cada traço...
Cada linha do horizonte...
Circunferências delineadas a paixão escondida...
Proibida...
Construida por memórias esquecidas... 
Aquecidas pelo fogo crepitante...
Conservador de pensamentos gelados... 
Passados pelos olhares enganados...

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Correntes Selvagens


dou por mim aqui agarrada com correntes ao asfalto... que não me deixam prosseguir o meu caminho... o meu sonho... correntes de metal gelado e inquebrável... indestrutivel aos olhos daqueles que se querem aproximar...
sozinha... ofegantemente cansada... derrotada por todas as forças em que alguma vez acreditei...
agora consigo compreender quando um dia me disseram um não... desculpado... quando existiam tantos sins desesperados... mas não incorporados na realidade de um ser selvagem...
agora eu também selvagem... indomável... digo nãos... compreendendo o não outrora desculpado e chorado com lágrimas salgadas num rosto desfeito por sonhos...
agora também eu vejo que não é assim tão dificil perder a criança que há em nós e desejar que ela regresse a casa com uma gargalhada estridente de felicidade esquecida... com o esquecimento de uma passagem amargurada pela página de um livro desfolhada com a velocidade fulminante de um desejo que já foi...
que já não o é...
compreendo... não censuro... também eu agora reconheço o quão dificil é viver selvagem... desejando cativeiro que nunca saberemos se será o ideal... que não conseguimos dizer sins... que não conseguimos seguir um sonho... um desejo... porque simplesmente não dá... não somos capazes... não somos crianças... tornamo-nos selvagens num mundo de relações humanas... sonhos quentes... envolventes... duradouros... mas não passam de sonhos...
foi esse não ... o último a fazer-me sentir criança novamente...
permaneço acorrentada aos elos que me queimam contra o alcatrão do asfalto fervente... forte... incapacitante... do selvagem... perdendo a criança sonhadora que outrora aqui habitava...

segunda-feira, fevereiro 01, 2010



...I'm just living inside my own little bubble... and surviving... day after day...
...I'm recognising myself...
...protecting me...
...loving me...
...just my bubble and I...
...caring me...
...hugging me...
... bubbling me...

...sentido de impotência ao tentar o impossivel não compreendido ... dupla personalidade desapercebida...  inconstante melancolia vibrante...
desespero causal... irreal...


quinta-feira, janeiro 21, 2010

Sentido Abstracto



Dias e dias à roda de uma roda de vida vivida... não desenvolvida... inerte nos dias que passam e arrastam o ar dos pulmões que não o usam ... voltas e voltas de nada usado por ninguém para insignificar o antigo pacífico esperançado...
O não saber onde não se encontrar algo que não existe... onde não sabemos estar nem onde procurar...
Não querer saber de nada nem de ninguém enquanto não queremos continuar a não querer...
Dançar balançando... dançando num balanceado estagnado... parado no balanço de uma onda desenfreada de uma maresia penetrantemente ondulada... penetrando num mar intenso gélido com uma vida gelada procurada estarrecida e dignificada aos olhos de ninguém...
Amar... amargurando... dignificando o sentimento... sentido procurado... não achado... sem saber por quem...
Sentimento jamais alguma vez sentido pelo conhecimento de quem não quer saber... desistindo de tocar naquilo que nos leva a não querer continuar a sentir...

sábado, janeiro 16, 2010

Insónias...


Quantas vezes damos por nós a olhar em redor de uma noite que não conseguimos passar... talvez pelas horas de sono a mais de um dia descansado... ou apenas porque não conseguirmos parar de pensar... apesar de haver tanto para fazer no dia seguinte.. e de tão cedo ter que acordar...
Nada nos faz fechar os olhos e conseguir entrar naquele tão desejado sono... descansado... 
Pensamos em tudo ao nosso redor... sonhamos... planeamos... projectamos e revivemos tudo e mais alguma coisa... excepto que temos de adormecer o mais rápidamente possivel para que no dia seguinte não nos arrependamos das horas não dormidas...
Tudo à nossa volta se torna confuso... obtuso... tudo passa aos nossos olhos... o passado... o presente... o futuro... os melhores momentos... os piores... e os não vividos... os arrependidos... e os desejados...
Mas nada nos faz cair no poço do sono e relaxar...
Olhar no escuro... ver luzes a piscar... sombras a passar... contar os buracos das persianas... os carneiros a saltar nas cortinas...  imaginar historias... e até canções de embalar... dar voltas e voltas na cama até ficar enrolados nos lençóis que de nada têm culpa...
Inspirar fundo e pensar... porquê?
Vá dorme.... amanhã tens que acordar cedo...
Levantar para beber àgua... ou procurar algo que não existe na cozinha... ir a casa de banho... ler umas folhas perdidas de um livro da mesa de cabeceira... ou mesmo ouvir música da rádio mais calma e envolvente...
Nada disto resolve o problema... até que a exaustão faz derrotar o guerreiro pela luta do sono.... ou... muitas vezes... a luz do dia... e o dever de levantar se torna pesado e forte... mesmo no momento da guerra terminar...

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Inesperado



Um dia na cama... calmo... quente... quando o frio enregelesse as paredes... do lado de fora... o uivar do vento nas ripas da janela... enquanto me aconchego nos lençóis de flanela... aquecidos de mais uma noite...
Mais uma noite em auxilio dos outros e um dia em auxilio de mim... do meu desgaste...

Levanto-me....àgua quente... fervente... relaxante em cima de ombros descaidos ... contraidos... pesados... cansados... àgua no rosto pacífico... inócuo...

Escolher a roupa para uma noite diferente... sentir-me bonita... especial... aos olhos de ninguém... aos meus ... à minha estima própria...

Sair de casa... a chuva gelada a cair na calçada... deslavada... encharcada de folhas pisadas pelas passadas apressadas de quem foge de ninguém...

Ligar o carro agitada.... esfregando as mãos a correr com o fôlego quente a ajudar para rápidamente as conseguir aquecer...

Um jantar... umas conversas em dia... umas risadas... umas cumplicidades... champanhe... melaço...
Uma noite bem passada... com uns passos de dança agitada... enrolada... aconchegada... suada e revoltada com a  noite lá fora gelada... e os corpos quentes... envolventes... tementes à noite que ainda  é uma criança... e que a dançar os levará até ao inesperado... até as pernas não aguentarem o ritmo... o balanço... o esforço relaxado de quem quer continuar... a dançar...

Sem carro... uma troca de algo desconhecido... com principio inofensivo e um fim.... inesperado...
Terminado o balancear  ritmado dos corpos envolvidos naquele ambiente abafado... volta a chuva... o frio... a sensação do vazio... do termino daquela noite ainda jovem...

Fome... unida à vontade de comer ... e de para casa não voltar... ajudam mais um bom momento a acontecer... fumegante... aconchegante para o estômago e para a alma...

Pronta para voltar para aqueles lençóis que outrora teria deixado... naquele quarto desarrumado pela vontade de liberdade...
Regresso a casa de madrugada... orientada... calibrada para mais um bom dia de sono auxiliado...
para regressar às noites de auxilio programado...
Deitada... aconchegada... imprevisto... levantada de novo despertada para uma liberdade inesperada... realizada por acaso...
Um acaso confortável... afável... agradável... passeio em redemoinhos de imaginário... embalados pelo som da chuva... rolamentos em alcatrão... pelo interior... praseiroso... sorridente... quente... envolvente... suplicante por mais um pouco do inesperado... sonhando... fragmentos de interrogações suspeitas... curiosas... praseirosas... inesperadas... sonhadas... desejadas...

De novo em casa... os mesmos lençóis como testemunha...  olham para mim... desejam-me como ninguém... finalmente têm-me como sua... definitiva... desesperada...

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Infância...


Últimamente tenho ido rebuscar memórias tão antigas que já ganhavam pó no fundo do baú do meu Id...
Jogos, músicas, programas de tv.... desenhos animados e mesmo desanimados...
Acabei por reflectir mais afundo sobre este assunto quando dei por mim quase de cara no chão e com uma enorme dor de barriga de tanto rir da minha figura...
Lembram-se da macaca?... e do macaquinho do chinês?... do jogo da mosca?... o rei dá licença? ...do mata e do bate o pé...?
Estas memórias fizeram-me reviver de tal forma que... fui tentada a aventurar-me.... tentei de novo jogar ao eixo...
Mas a coisa não correu assim tão bem... e como a força nas pernas já não é a mesma... vi o chão a aproximar-se a grande velocidade...
Mas fui feliz... foi um momento de glória.... no palco do asfalto com público e tudo...
Umas dores nos braços... um arranhão... mas nada que superasse a alegria de me sentir criança de novo... e de umas boas gargalhadas e mais recordações...

sábado, janeiro 02, 2010

Mim...



1 hora, dia 2, mês 1, ano 10...
Código binário  de uma vida confusa... código simples... mente complexa...
Face à força mais pura... binária... solitária... ancorada na areia dourada da costa terrestre... da crosta cintilante...
Banha pontos de luz no horizonte... mergulhados na imensidão da sua beleza...  pureza...  profundeza escura... dura... madura...
Eu... mais um ponto de luz da sua fonte... no seu horizonte... oposto... envolvida na sua beleza... destreza... certeza... gentileza... leveza...
Concentrada... inspirada na solidão musical... musicalmente embalada... esperançada... em mim... fortificada... reforçada... amada... por mim... de mim... para mim...
Eu em mim... mim em mim... apenas eu... comigo...
A partir daqui vai ser assim... sim... mim...

Bomba Relógio


Cá estou eu... desta vez não com um teclado, mas com uma folha rudimentar e uma simples caneta azul, de ponta metálica...
Mais uma vez embrenhada nos meus sonhos... nos meus pensamentos... desejos...  incertezas... palpitações...
Palpitações como as que senti ontem à noite.... depois da meia noite tão desejada por multidões.... por meio mundo...  porque a outra metade já a havia sentido...
Deitada...  isolada... forçando um sono que  não existe... que deveria existir... ali estava...  a ouvir a minha bomba relógio... o tic-tac desesperante... cada bombada... cada golfada de sangue que jorrava das suas aurículas pelos tricuspides cruzamentos de feixes melancólicos, vermelhos e sumarentos de sonhos e pesadelos...
Futuro à frente das orbitas encarceradas na fronte desfeita por desgaste e secura, desidratação...
Carne seca e apodrecida à mercê dos abutres da vida que rondam sedentos do suco rejuvenescido... enriquecido pelo desprezo alheio...
Estirada... nervo... cartilagem... rede de fibras entrelaçadas por linhas energéticas com voltagem limitada... sem força... desmagnetizadas como a vida... sem química... sem filamentos voltaicos... subtraída de tudo... somada a mais um desperdício humano...
Fruto sem polpa... soro simples da verdade ignorada...
Amargura... desprezo... infinita tristeza cultivada ao longo de décadas... enraizada à estrutura óssea... ao cálcio... ao tecido esponjoso... a todos os tegumentos... a todos os eritrócitos bombeados por aquela bomba relógio...

Reflexão para 2010



Sempre os mesmos desejos, as mesmas passas passadas, àguas ressequidas, champanhe rebentado para o ar, espuma branca, envolta na areia da vida, revolvida um ano inteiro... sempre os mesmos pensamentos, as mesmas promessas, confessas, despidas... confissões, relações, ilusões e tudo regressa ao mesmo...
Tudo permanece igual a si próprio, sempre as mesmas desilusões, pobrezas, tristezas...
Embora nas primeiras horas se sonhe com um futuro melhor, mais saudável, solidário, pacato, estrelato, barato... tudo estagna... tudo permanece igual e real enquanto que em cada pensamento despoletado pela fantasia de um dia diferente igual a tantos outros se transformam desilusões e problemas em sonhos enfeitados com purpurinas douradas embrenhadas na espuma branca da vida.
É fácil dizer que apartir de amanhã vai ser diferente, que apartir desta hora, deste minuto, deste segundo, depois desta contagem decrescente ... eu, tu e o mundo vamos mudar...
Vamos andar de mãos dadas e ser felizes... pensar... tudo vai correr bem apartir de agora...
Mas valerão a pena esses segundos de esperança... dará realmente um novo ar à nossa consciência?!...
Será que apenas estes segundos de pensamento tão intensos no terminar do tricentésimo sexagésimo quinto dia do ano têm tão consagrada capacidade de alterar o nosso rumo, a nossa vida, a força e ambição, que ao longo de um ano inteiro sempre nos esforçámos e desejámos ter... quando acabámos sempre por baixar os braços e desistir?!... ou deixar para amanhã porque simplesmente hoje não é um bom dia, não é o dia ideal?!
O terminar deste último dia e o início de uma nova década, de uma nova Era terá essa maravilhosa capacidade?!... como um passe de mágica... ou será apenas mais um pensamento... mais uma força perdida no dia seguinte?!... Depois de acordarmos com uma enorme dor de cabeça e pensarmos... acabou... voltou a rotina...
Ano Novo Vida Nova... mas vira o disco e toca o mesmo...
Pois eu não acordei com dores de cabeça... nem dormi... mas também tive milhares de pensamentos e desejos tão intensos que quase acreditei que os consigo pôr em prática, depois do ano desesperante passado... ser recalcado...
Será que terei forças para pôr em prática a minha felicidade?... a felicidade que ambicionei naqueles segundos flash da meia noite?!...
Só me resta continuar a sonhar e ambicionar até a força se apoderar de mim até às entranhas e eu chegar a um dia a dizer :
- É verdade, um segundo pode mudar uma vida... a força de um segundo... a energia de um segundo... a energia da mente... pode significar a energia do resto da tua vida...

sábado, dezembro 26, 2009

Lost and Insecure...



É Natal...
Época da azafama... das prendas...  da chuva miudinha e da mais tempestuosa...
Época de nostalgia...
Do amor relembrado pelo esquecimento passado...
Da solidariedade forçada para redimir todos os egoismos durante um ano inteiro...
Toda esta correria gira à velocidade da luz ... do lado de fora da minha janela...
Eu...
Sentada...
Aconchegada...
De ar condicionado ligado no quente...
Apesar da aragem fria a soprar-me a ponta do nariz...
Olhava através do salpicar da chuva no vidro da frente...
Para...
Arranca...
Para...
Arranca...
Já sentia aquela dormência dolorosa nos dedos dos pés... de tanto pisar os pedais que se tornavam cada vez mais pesados...
Descansava a embraiagem...
Descansava o acelerador...
Parou...
Não mexeu nem mais um milimetro...
Desligo o carro...
Mantenho o rádio ligado para me fazer companhia....e fico a olhar fixamente para o fogo incandescente mesmo em frente ao meu nariz...
Fixo... desfoco ... focado... desfocado... brinco com o olhar ... com o meu caleidoscópio...
Olho para o lado...
Vizinhos com cara de poucos amigos... a esbracejar com ninguém... como se de alguma coisa lhes valesse...
O meu único pendura a olhar para mim... olhar ingénuo e solidário... mais quente que eu... confortável na sua poltrona...
Falo com ele em pensamentos... questiono-o... mas não me responde... impávido e sereno...
Oiço uma música que me faz sonhar... pairar no ar por cima daquele mar metálico
Fazendo-me sentir aquele nozinho no estômago... reconfortante...
Ali...
Depois de um dia inteiro de trabalho...
A um domingo ... quase meia noite...
O trânsito parado... meia hora...
Meio mundo...
E aquela música fez-me não querer saber... acompanhou o meu desespero de chegar à cama... fez-me cantar em plenos pulmões no meio daquele mar vermelho... e fez com que aquela meia hora durasse apenas meio minuto...
Perdida...

sábado, dezembro 19, 2009

Uma mensagem...


Abro os olhos...
Reviro o olhar para pesquisar tudo o que se passa à minha volta...
O ambiente é acolhedor... mas pesado...
O aroma no ar é adocicado e quente... tão quente que começo a sufocar...
Afasto os lençóis...
Levanto a cabeça...
Rodo o corpo lentamente como se não quisesse incomodar os vizinhos...  pairando no ar aproximo-me da janela...
Inspiro...
Ganho coragem para enfrentar algo... delicadamente... afasto o tecido cru que tapa a vidraça e deparo-me com a madrugada... um lusco fusco rosado... assim meio iluminado... prestes a explodir num fogo de artificio matinal...
A medo... recuo até à porta que grita ao minimo toque...
Na escadaria acompanha um gemido ...que a cada dedo meu, tocando a sua velha e desgastada madeira, ecoa pela casa vazia como se de um poço se tratasse...

Shhhh...
Penso...

Silêeencioo...
Peço...

Chego ao hall de entrada...
Uma brisa passa por baixo da porta principal... acariciando-me os pés barulhentos com quem viria a reclamar...
Olho em volta... quadros a óleo e fotografias a preto e branco miram-me de soslaio como se de uma estranha se tratasse...

Um arrepio...

O vitral pintado a cores vivas deixa passar a claridade fluorescente de um novo dia...
Não posso perder este momento...
Saio para o alpendre... encontro um baloiço... mágnifico...
Ansiosa... tal e qual uma criança no circo... anseio pelo maior acontecimento do dia...
Espero...
Ao longe... uma bola de fogo espreita... a medo... quase que consigo ouvir a sua luz rompendo a casca da terra... como uma cria a eclodir do seu ovo...
Pouco a pouco vou serrando os olhos para que aquela luz radiante não me cegue...
Sorrio... o calor aproxima-se da minha face...
Sinto cada toque de luz ...
Cada raio...
Cada feixe que acaricia a minha pele... aquecendo a minha alma.
Aprecio esta maravilhosa dádiva da Natureza...
E fico ali... a baloiçar nos braços do sol... aquecida no seu regaço... esquecida no pensamento de alguém... perdida em mim...

O telefone toca...
Uma mensagem...

"Queres fazer amor comigo?"

Apenas isto...
Agora... neste momento...
Neste tempo... como se fosse aquela chama a chamar por mim...

Não reajo... inspiro... estremeço...

Levanto-me do baloiço que continua a embalar quem lá ficou... para trás ... sentada com aquele lindo nascer do sol...

Volto ao quarto...

Ao leito... onde te deixara em sonhos ... ainda quente do meu corpo embrenhado em caricias imaginárias... nas quais me fizeste perder a cabeça... os sentidos...

Não respondo... remetente errado... reencaminhado para outro... desejado em silêncio.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Vidas Revividas


O toque...
O respirar...
O ar quente trocado entre olhares...
Olhos intensos a curta distância...
Um abraço envolvente...
Dúvidas...
Esquecemos  a vida...
Os objectivos...
Palavras entre olhos mudos... transmitem informação penetrante em almas analfabetas...
Um acto de loucura...
Descoberta do conhecido... escondido  na sombra do desconhecido... 
Irreal... o esquecimento nunca lembrado...
O impossivel que se torna em realidade submersa em intensidade e desejo.
Esse arrepio há muito esquecido...
Sofrimento feliz de uma caricia suavemente arrepiante...
O despir... peça a peça... passo a passo... rasgando... vestindo ... respeitando... angustiante e pensado...
Preconceitos... esses que envolvem uma vida cheia de ilusões... sonhos impostos ... propostos ... dispostos a aventuras nunca dantes vividas...
Melancolia dividida entre alcatrão queimado a ferros quentes de marcas revividas... passadas...
Castradas.... arrancadas à força do peito ferido de uma ave livre... em cativeiro...
Liberta... de asas cortadas cirurgicamente... por um bisturi infectado... inveja... calúnia... desespero... tristeza... hipocrisia...
Num voo picado...
De desejo incrustado...
Despido de preconceito...
Revelado na escuridão...
Libertado da solidão.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Alucinações

À saída...
...de guarda-chuva numa mão, mala ao ombro e uma pasta cheia de folhas sonhadas em projectos na outra mão...
Passos apressados...
Vou ouvindo as pedras secas do caminho quebrando debaixo dos meus pés.... deixando descair os saltos agulha no entremeio dos paralelipipedos da calçada... desequilibrada... frustrada com mais um dia de trabalho ...
o reclamar do chefe... telefones a tocar... colegas a cochichar pelo canto do olho... folhas e mais folhas amassadas e rasgadas por frustrações e erros triviais...
Ando... continuo a andar ... as meias de vidro molhadas com a chuva gelam-me as pernas... os pés humidos  escorregam dos sapatos ... e vou balanceando passo a passo num desequilibrar equilibrado pelo peso nos braços.... cansaço... o carro ao longe ... num caminho k aparenta nunca ter fim... desejo abrir a porta... sentar-me... respirar fundo... e pensar... estou a salvo...
Continuo a caminhar... o estalar da areia debaixo de mim... acompanha a música da chuva a cair com o ritmo do meu andar... no escuro... na noite... numa rua vazia... iluminada por uma língua de fogo a 10 metros de altura ... ali vou eu... concentrada nos meus passos... no meu destino... nos meus sonhos... com o desejo de esquecer a azafama daquela vida atribulada...
Finalmente... o carro...
Apresso o passo ... arrisco no desequilibrio para atingir a meta ...
... cheguei...
Sinto um vazio...
Paro...
...chave em punho pronta para abrir a porta do sossego
Olho em volta...
...nostalgia...
O vento a bater-me no rosto quente... sofrego...
... fios de cabelo húmidos cobrem-me a cara, tatuados... como a pedir refugio na minha pele...
... respiro ofegantemente...
... oiço o ar a entrar e a sair de cada alveolo... cada troca gasosa... o bombear no peito...
...concentro-me
deixo cair o que me guarda e fico ali... à chuva...
... desprotegida...
... desequilibrada...
... à procura de um olhar...
... desejando um olhar que não existe...
À procura dos teus olhos em meu redor... concentro-me
... fixo um alvo...
... que não passa de uma publicidade enganosa... que me iludiu a mim também...
... uns olhos intensos...
... vidrados... reluzentes...
... que me desejam no meu pensamento...
... em papel fino... fixos em mim...  afixados... numa paragem de autocarro...
Desmoreço... molhada...
... com o sobretudo pesado... ombros descaidos e tez marmoreada pelo frio da chuva inexistente...
... como tu...
... naquela noite....
... de ténis calçados corro para o carro... na esperança de chegar a casa... e entrar na cama... que ainda quente espera por mim... para sonhar com o teu olhar... à minha espera... ao longe ... na solidão de uma noite fria e chuvosa de Inverno...

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Fantasmas...


Esses seres gélidos e sorrateiros que me atormentam... onde quer que eu vá.
Espreitam sobre o meu ombro pairando por entre a neblina de sonhos esgotados.
Neblina sombria que deixam para trás... depois de tanto serem usados por estes pensamentos... futeis... imaturos.
Fantasmas do passado que brincam de roda com os do presente... construindo estratégias para assombrar a minha vida.
Entrego-me a estes fantasmas brincalhões que jogam à bola com o meu coração e entrelaçam as minhas entranhas como se de um jogo do galo se tratasse.
Guardiões de desejos...usam e abusam dos meus medos para se aconchegarem no conforto da minha angústia...confrontando o meu espirito.
Guardam a sete chaves o segredo da minha vida ... e todas as noites se apuderam dos meus sonhos e esperam...
Esperam atrás da minha sombra, pelo melhor momento para gritarem bem alto... num sussurro que me arrepia até ao ultimo fino e frágil fio de cabelo.

domingo, dezembro 06, 2009

pensamentos...



"Felizes aqueles que penetram no segredo das coisas..."